Rio de Janeiro, 02 de junho de 2020

É Advogado, Consultor Político e Membro da Associação Brasileira de Consultores Políticos - ABCOP.  Atua há mais de 35 anos como Assessor e Consultor Político.  Autor de "A Arte da Governabilidade", Ed. Multifoco.  Ex-Secretário de Governo - V. Redonda/Barra do Piraí e ex-Secretário de Administração de Volta Redonda.  Saiba mais...

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A ESCOLHA DE TEICH.

15/05/2020 14:23:24

É melancólica a situação de Nelson Teich. Antes de completar um mês em Brasília, o oncologista já foi fritado pelo chefe. Agora ele parece se arrastar no cargo como um ex-ministro da Saúde em atividade. O substituto de Luiz Henrique Mandetta assumiu com jeito de fantoche. Ao ser apresentado, prometeu “alinhamento completo” a Jair Bolsonaro. Depois disso, submergiu para não dizer nada que pudesse contrariar o presidente.

O ministro não teve autonomia nem para escolher seu número dois. O posto foi entregue ao general Eduardo Pazuello, que pendurou outros militares em cadeiras que sempre pertenceram a médicos. Sem experiência na política, Teich foi triturado no primeiro contato com o Congresso. Sua confissão de que o governo estava “navegando às cegas” reforçou a imagem de uma gestor à deriva.

No domingo, o ministro arriscou um gesto de humanidade num governo que trata a tragédia como uma “gripezinha”. Em três tuítes, ele se solidarizou com as famílias enlutadas e lamentou a “terrível marca” de dez mil mortes pela Covid-19. Foi o suficiente para cair em desgraça com as milícias virtuais.

Em pleno Dia das Mães, Teich virou alvo de bombardeio nas redes. Em vez de defendê-lo, o presidente se juntou ao esquadrão de fuzilamento. Na segunda-feira, Bolsonaro submeteu o auxiliar a uma humilhação pública. Ele soube pela imprensa do decreto que transformou salões de beleza e academias de ginástica em “atividades essenciais”.

A reação abobada de Teich ao receber a notícia agravou seu descrédito. “Isso aí saiu hoje? Falou agora?”, ele perguntou, olhando para o general Pazuello como uma criança em busca de socorro. Foi uma cena patética, que ficará na crônica de um governo perdido na maior crise sanitária em um século.

Ontem o presidente voltou a pressionar o ministro a endossar seu discurso populista a favor da cloroquina, cuja eficácia foi questionada em dois estudos recentes. Isolado, Teich pode ser forçado a escolher entre duas opções ingratas: agarrar-se ao timão como um comandante fantasma ou abandonar o navio durante o naufrágio.

Bernardo Mello Franco 

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